ALBERTO NEPOMUCENO

Patrono e inspirador do Festival Mi

O maestro cearense Alberto Nepomuceno (1864-1920), um dos mais importantes da história da música nacional, surge como patrono e inspirador do “Mi”. Defensor do diálogo entre as raízes brasileiras e a música erudita, entre a segunda metade do século 19 e começo do século 20, o compositor, pianista e regente foi fundamental para a construção de uma sonoridade que representasse seu povo, sem se distanciar do que havia de melhor no cenário mundial.

“O Nepomuceno é um dos pais fundadores do campo artístico nacional. Ele foi o primeiro grande pensador a compreender que as matrizes da tradição popular brasileira estavam impregnadas de grande expertise instrumental, de grande capacidade criativa, e que o diálogo tornaria tanto a música popular quanto a própria música erudita muito mais rica”, explica Paulo Linhares. “O festival tem esse sentido, de incorporar a matriz instrumental brasileira e tornar esse diálogo entre música contemporânea, erudita e popular um diálogo permanente, fértil e enriquecedor”, conclui.

“Não tem pátria um povo que não canta em sua própria língua.“

ALBERTO NEPOMUCENO

Patrono da cadeira número 30 da Academia Brasileira de Música, Nepomuceno mudou-se para o Rio de Janeiro na juventude, quando teve a oportunidade inclusive de conviver com o escritor Machado de Assis durante um trabalho como professor de piano em um clube carioca.

No ano anterior à abolição da escravatura, compôs Dança de Negros (1887), uma das primeiras composições que utilizou motivos étnicos brasileiros. A primeira audição dessa obra, que mais tarde se tornou Batuque, da Série Brasileira, foi apresentada pelo autor no Ceará. Outras peças foram compostas na mesma época, como MazurcaUne fleurAve Maria e Marcha fúnebre.

Apesar de ser visto com desconfiança pela família imperial, devido às suas posições políticas, Nepomuceno, pela sua importância no cenário musical brasileiro, chegou a ser convidado pela Princesa Isabel para tomar chá no Paço Imperial.